Publicada em 12/11/2009, às 13h14
Carlos Antolini

Marc Collet destacou que na França leis obrigaram que os poluidores do rio e das bacias sejam taxados para pagar pela poluição provocada
O diretor delegado da Agência de Águas Sena-Normandia, Marc Collet, falou da experiência do modelo de despoluição e recuperação do rio Sena, em Paris, no seminário internacional A Década da Água no Mundo, no auditório do Rio Santa Maria, na Feira do Verde.
Segundo ele, 40 anos atrás os níveis de poluentes eram altíssimo e ações emergenciais foram necessárias para que o rio não morresse ou virasse um grande esgoto.
Segundo o especialista, leis obrigaram que os poluidores do rio e das bacias que o formam fossem de maneira justa taxados para pagar pela poluição provocada. E o governo concederia subsídios para as empresas que pagassem pela despoluição.
"Impostos e multas direcionados para essa finalidade seriam utilizados somente para esse fim e não em outros projetos".
Ele contou que é comum que governos priorizem questões como segurança, saúde e obras em detrimento de meio ambiente, ou seja, os impostos muitas vezes não têm um fim definido. A população tem preocupação, mas falta poder para determinar para onde os recursos serão direcionados.
Collet explicou que o direcionamento de taxas, multas e impostos para a recuperação dos mananciais foi determinante e fez a diferença. "Não adianta sonhar, tínhamos recursos e técnicos capacitados, além de projetos práticos e fiscalização, condições consideradas determinantes", enfatizou.
Em Paris, também foi formado um comitê gestor comprometido em salvar o rio e as bacias que formam seu curso. Os agricultores foram orientados e estimulados, inclusive, com recursos financeiros, para preservar suas propriedades e o leito do trecho do rio usado por eles.
O técnico francês alertou também sobre o risco de envolver questões de engenharia com políticas de governo, ao se definirem estratégias para manutenção e preservação de rios, sem a devida responsabilidade com impactos futuros.
Para ele, é fundamental praticidade, pois a falta de definições objetivas ou uso de ideias passageiras e sem fundamentação são um risco à população. "Sem o auxílio de todos que sofrem influência de um rio não há trabalho que aponte resultados, seja em Paris, Londres, São Paulo ou aqui na Região Metropolitana de Vitória".
O rio Sena é conhecido como o rio dos namorados. Nasce a 470 metros de altitude, na Meseta de Langres, en Côte-d'Or. O seu curso tem uma orientação geral de sudoeste a noroeste. Deságua no canal da Mancha, perto de Le Havre. A superfície que ocupa é de, aproximadamente, 75.000 km². A fonte do Sena é propriedade da cidade de Paris desde 1864. Uma cova artificial foi construída um ano depois, para controlar a fonte principal.
O entulho proveniente das demolições, assim como o transporte de materiais para construção, areia, pedra, cimento e concreto, além de terra de escavação, são produtos que por décadas eram jogados de maneira aleatória no curso d'água. O rio já foi considerado um dos mais sujos da Europa Ocidental e, agora, renasce e volta a ser um dos principais atrativos turísticos de Paris.
Marcos Salles

O prefeito João Coser disse que, assim como Paris, Vitória sofre influência de cidades vizinhas
Como parte da estratégia de despoluição, foi realizada a construção de grandes estações de tratamento de água e centros de purificação em pontos estratégicos. As nascentes também tiveram atenção especial e agricultores e moradores em áreas próximas se tornaram parceiros e foram beneficiados com a sua preservação.
O prefeito João Coser disse que, assim como Paris, Vitória sofre influência de cidades vizinhas e sente os efeitos da Região Metropolitana. Para ele, são questões que afetam a todos e, se no passado não houvesse tanto descaso, não seria preciso investir tantos recursos para tratar a água e o esgoto.
"Observamos que os problemas são comuns nas grandes cidades do mundo e as estratégias pra as soluções podem ser compartilhadas.", destacou. Coser contou que a despoluição da Praia de Camburi é prioridade e que os recursos estão disponíveis e os parceiros definidos. "A partir daí é preservar e contar com a colaboração dos moradores, do poder público e das empresas para que erros e descasos não voltem a acontecer", planeja.
(Fabrício Faustini)
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